
Enquanto faço um pausa longuíssimmmmaaaaaaaaaaaa na publicação de mais um texto sobre outra canção, aqui deixo uma coisita que ficou por publicar no cessado UM:
NIRVANA- THE TRUE STORY
Everett Trues
Omnibus Press
Precisará o mundo de mais outro livro dedicado ao grupo americano? O jornalista britânico Everett True acha que sim e tem um currículo que lhe confere alguma autoridade na matéria. Afinal foi ele que, perante a indiferença de 99% da imprensa musical, acompanhou como jornalista do Melody Maker os primeiros anos da explosão de Seattle (1988-1991). Testemunhou a construção da Sub Pop, ajudou a divulgar os Nirvana, de quem se tornaria amigo, e trouxe o rock americano de volta às páginas dos jornais ingleses. Eis um currículo que justifica, pelo menos, alguma curiosidade em torno de Nirvana-The True Story. Mas o interesse do livro não se fica pelo tema. Vive também na forma como este é tratado, algures entre a biografia do grupo e a do próprio Everett True.
As recordações sobressaem num diálogo escrito, com músicos, editores e outras personagens, e predomina uma oralidade que não é, de todo, estranha à escrita jornalística. Como se estivesse perdido num solitário ajustes de contas com o passado, o autor interrompe-se, lamenta a falha de memória, e revolve, entre outros assuntos, a sua atracção por Courtney Love, a amizade com os Nirvana ou a paixão genuína por certas bandas. No fim, por vezes, só restam contradições irresolúveis, sem resposta, que ameaçam exasperar o leitor menos avisado. Este pudor involuntário acaba por ser oportuno, como acontece nas páginas dedicadas ao último ano da vida do músico de Aberdeeen, e permite que se abram clareiras: as ligações dos Nirvana à cidade de Olympia, a primeira digressão na Inglaterra, os grandes concertos do início dos anos 90 (Reading 91 e 92) e a construção da América como bastião final do rock. No fim é também um livro sobre o jornalismo musical e as suas ilusões, descobertas, desilusões. Sobre o que é gostar de um banda de que ninguém (ainda) gosta, quando ninguém (ainda) está a ouvir.
NIRVANA- THE TRUE STORY
Everett Trues
Omnibus Press
Precisará o mundo de mais outro livro dedicado ao grupo americano? O jornalista britânico Everett True acha que sim e tem um currículo que lhe confere alguma autoridade na matéria. Afinal foi ele que, perante a indiferença de 99% da imprensa musical, acompanhou como jornalista do Melody Maker os primeiros anos da explosão de Seattle (1988-1991). Testemunhou a construção da Sub Pop, ajudou a divulgar os Nirvana, de quem se tornaria amigo, e trouxe o rock americano de volta às páginas dos jornais ingleses. Eis um currículo que justifica, pelo menos, alguma curiosidade em torno de Nirvana-The True Story. Mas o interesse do livro não se fica pelo tema. Vive também na forma como este é tratado, algures entre a biografia do grupo e a do próprio Everett True.
As recordações sobressaem num diálogo escrito, com músicos, editores e outras personagens, e predomina uma oralidade que não é, de todo, estranha à escrita jornalística. Como se estivesse perdido num solitário ajustes de contas com o passado, o autor interrompe-se, lamenta a falha de memória, e revolve, entre outros assuntos, a sua atracção por Courtney Love, a amizade com os Nirvana ou a paixão genuína por certas bandas. No fim, por vezes, só restam contradições irresolúveis, sem resposta, que ameaçam exasperar o leitor menos avisado. Este pudor involuntário acaba por ser oportuno, como acontece nas páginas dedicadas ao último ano da vida do músico de Aberdeeen, e permite que se abram clareiras: as ligações dos Nirvana à cidade de Olympia, a primeira digressão na Inglaterra, os grandes concertos do início dos anos 90 (Reading 91 e 92) e a construção da América como bastião final do rock. No fim é também um livro sobre o jornalismo musical e as suas ilusões, descobertas, desilusões. Sobre o que é gostar de um banda de que ninguém (ainda) gosta, quando ninguém (ainda) está a ouvir.
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